Tamanho é documento?

O Instituto Pensando Esporte (IPE) vem trazer para todos o primeiro texto do nosso blog! E como será esse espaço dentro do nosso site? O blog do IPE vem propor temas sempre pertinentes à formação dos jovens atletas, buscando sempre discutir pontos de vista sobre os mais variados assuntos, numa interação com você, leitor, que nos comentários pode colocar sua opinião, enriquecendo ainda mais o debate.

Para começarmos, trazemos um tema polêmico dentro das categorias de base esportivas. Até onde a estatura da criança é crucial para o seu caminho no objetivo de se tornar um atleta profissional? Será a altura um elemento físico tão determinante que possa balizar a qualidade e quantidade de oportunidades para o jovem aspirante a atleta?

Vamos começar, talvez, com a parte mais simples do tema. Claro que formos pensar em esportes como basquete e vôlei, a altura é preponderante para o aproveitamento daquele candidato a atleta. Ninguém acredita que alguém com 1,65m de altura consiga ser um atacante em alto nível no vôlei, ou um pivô no basquete, seja no naipe masculino ou feminino.

Pelo outro lado, se pensarmos na ginástica artística, é muito bem vinda uma estatura de 1,50m, 1,40m, talvez até menos, para facilitar todas as piruetas e gestos tão fundamentais no desporto. Resumindo, temos modalidades onde a estatura, seja para mais ou para menos, é fator crucial e seletivo para o aproveitamento dessa criança em alto nível.

Vamos analisar então os casos mais complexos, como o do futebol, a modalidade mais praticada no país. Se pensarmos em zagueiros e goleiros, existe uma necessidade de uma grande altura para chegar ao nível profissional. Nas outras posições, nem tanto. Afinal o Messi, craque argentino e melhor do mundo 5 vezes, tem 1,70m. Em 1995, George Weah, atacante da Libéria, foi escolhido o melhor do mundo, no alto de seu 1,87m.

Podemos concluir que no futebol, a estatura não é preponderante para a grande maioria das posições, sendo assim um desporto que abriga diferentes alturas, imaginando até que é mais “democrático” do que diversos outros. Vamos complicar um pouco mais a análise. E na base do futebol, nas categorias de formação desse atleta, que papel a estatura tem, dentro desse processo?

Temos que começar pela captação de atletas, a porta de entrada desses jovens nos clubes formadores. Por exemplo, chega um jovem, 12 anos, 1,75m para tentar uma vaga no time. A altura média do brasileiro de 12 anos, é de 1,49m. Antes da bola rolar, ele chama atenção? Acredito que sim. Com meia hora de treino, ele não é aquela excelência técnica, mas será que ouviremos essa frase: “Ah, mas ele tem perfil, será que não vale a pena avaliar mais?” Se ele tivesse 1,45m, será que teria essa paciência a mais?

Essa situação hipotética pode ser vista apenas pelo prisma do longo prazo, imaginando uma formação de um atleta que vai durar 6, 7, talvez 10 anos. E se a mesma situação fosse vista para o resultado imediato? “Talvez ele não se torne um profissional, mas um atacante de área com 1,70m nessa idade, vai ganhar muitos jogos para o nosso time.”

Então ter uma estatura alta, acima da média, é vantagem no processo seletivo nas categorias de base do futebol? Acredito que sim. Preponderante? Não pode ser. E cabe aos clubes, detentores do controle desse processo, determinar esse grau de importância. A seleção é, e tem que ser por critérios técnicos, seja no momento da captação ou durante as avaliações desse atleta no clube.

Para finalizar, a estatura, como a força, potência e velocidade, é uma característica física importante, fundamental para o desenvolvimento da criança ou adolescente, dentro das categorias de base do futebol. Fundamental no sentido que o clube entenda o jovem atleta, e potencialize seus pontos positivos e busque corrigir suas possíveis deficiências. Não pode ser determinante para uma aprovação ou manutenção do atleta no processo.

Gostou? Deixe aqui sua opinião e sempre confira novos assuntos no blog e nos artigos do IPE!!!

 

Autor:

Rodrigo Nunes – Coordenador Técnico das categorias de base do futebol do C.R. Flamengo. Sócio fundador do Instituto Pensando Esporte

  3 comentários sobre “Tamanho é documento?

  1. Deivison
    12 de setembro de 2018 às 10:22

    Parabéns pela matéria, tenho passado isso com meu filho no clube atual,ele tem suas características (pensa rápido ,velocidade ,evita sempre o contado ,passes de qualiadde muita técnica) porém o atual técnico vê isso tudo mas sempre deixa escapar que por sua baixa estatura prefere não usar esse , porém quando tem uma oportunidade mostra que tamanho não e documento ,ano passado jogava no msm clube de ponta direita e esquerda , e quando o lateral estava a baixo da expectativa ele quem assumia a posição devido a sua agilidade e facilidade de sempre por as bolas na área, em fim mudou o técnico mudou o pensamento . Se isso continuar dentro da base daqui uns dias os menores de estatura vão ter que procurar um outro esporte para se dedicar ja já que tamanho tem cido documento !

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  2. Taynara
    12 de setembro de 2018 às 11:47

    Muito bom, parabéns Rodrigo por todo trabalho desenvolvido a esses atletas.
    Texto incrível e esclarecedor a muitos que vivem nesse mundo do esportole, pois essa questão é uma das coisas que mais se escuta.
    Parabéns .

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  3. Rosimeri Ourique
    14 de setembro de 2018 às 20:41

    Muito boa a matéria .
    Meu filho joga na posição de goleiro e mesmo com 10 anos na sua categoria sub 11 tamanho acaba sendo documento.
    A maturidade TB é um fator importante .

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