O peso de criar expectativas em uma criança

Os filhos, quase sempre, são um projeto de vida. Alguns planejados por anos; outros que nos surpreendem de uma hora pra outra… Mas, a partir do momento em que uma família se vê grávida, já se começam os projetos. Primeiro pensando se será um menino ou uma menina; se parecerá com o pai, com a mãe, será cabeludo, gostará de música, de esporte, será torcedor do time do pai! E se for menino? Ah, vai ser jogador de futebol! Aliás, olha como ele chuta a barriga da mãe! Pronto! “Seu destino foi traçado na maternidade”.

Essa pode ser a história de muitos meninos que hoje formam a base dos clubes do Brasil. Há uma tendência em nosso país quase que natural pela prática desse esporte e a isso se juntam outros dois fatores: a preferência da criança pela modalidade e o sonho da família em ver seu menino um craque!

A partir desse momento,a trajetória pode ser tornar uma caminhada natural, de crescimento, prazer, diversão, saúde e aprendizado ou virar uma maratona em que o melhor tem que vencer, atropelando todos os obstáculos, passando por cima da infância, das brincadeiras, dos passeios, em nome de se tornar um atleta de alta performance.

A criança, inserida nessa rotina, nem se dá conta de que há tantas outras possibilidades na vida: ir aos aniversários dos amigos, fazer pequenas viagens no fim de semana, jogar uma pelada descompromissada, ir ao cinema, visitar uma exposição, ir ao teatro…
De quem é o papel de mostrar ao menino que ser jogador não pode ser o seu único objetivo? Sim, meus caros, é da família.
É muito perigoso alimentar uma esperança e nutrir um sonho de que algo se concretizará quando não há uma certeza pra isso.
Então é pra desistir? Claro que não.

A criança de hoje será o adulto de amanhã. Ela, no futuro, entrará no mercado de trabalho. Pode ser como um jogador profissional? Sim! Torcemos! Mas e se não for? Se esse atleta teve outras oportunidades, se viveu outras experiências, com certeza, saberá sua área de interesse. Ha inúmeras possibilidades para aqueles que querem permanecer nesse universo do esporte. O fundamental é que a criança não cresça achando que ser um jogador profissional é tudo, porque, se não for, será o fim!

Além do mais, não atingir o objetivo traz a frustração e mexe com a autoestima: não sou bom o suficiente! Quando todos sabem que muitas escolhas não são feitas apenas considerando esse aspecto.
Desde cedo, deve haver o dialogo que incentive o garoto a lutar pelo que quer e, por outro lado, mantenha seus pés no chão e sua cabecinha preparada para caso isso não se concretize.

 

Autora:

 

Cláudia Botelho: Professora e Pedagoga, idealizadora do Projeto Bate Bola Kids. Sócia fundadora do Instituto Pensando Esporte

  2 comentários sobre “O peso de criar expectativas em uma criança

  1. Wellington Tavares Nobrega Junior
    7 de setembro de 2018 às 03:04

    Adorei o artigo.

    Fico pensando quantos sonhos frustrados ficam pesados para essas crianças carregarem.
    Basta ver um joguinho entre crianças e lá estão eles nas grades, nas arquibancadas e muitas vezes na beira de um campo.

    Eu desenvolvi um e-book que trata das 7 peneiras antes de chegar a um clube. Interessante.

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    • 10 de setembro de 2018 às 09:24

      Bom texto Claudia, verdade absoluta.
      Cade esse E-Book Wellignton? (della54@hotmail.com)
      Abraço

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